A chuva cai e eu escuto-a cá dentro. Estranha forma de sedução, de abismo para lá de um tempo em que eu fui, em que não pensava muito porque a chuva caía e no entanto em mim se produzia uma sensação maravilhosa de êxtase. Era o tempo de te ouvir dizer "New rains, new loves", o tempo em que eu era Deus de mim, e era capaz de plantar desejos por onde passava, de sonhar de olhos aberto, ou então fechados, mas sem medo de tropeçar em alguma pedra. Mas hoje a chuva cai, e nada em mim se move, se questiona, vibra ou chora. Hoje simplesmente ela cai e eu caio com ela. Às vezes também é bom mergulhar num pouco de tristeza.
Um diário-lugar de ilusão óptica em que a palavra , prosa, crónica ou poesia não escapa à lente do sentimento.