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Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2007

Como se fosse possível haver manhãs sem ti.

Foto: FC “I don’t need no money, all is need is my baby” Canta o Otis Redding para me acordar Espreguiço-me como um gato e respondo-lhe: and I don’t need no mornings, all I need is my baby A manhã de tão perfeita, Traz-me a luz branca quase húmida Numa vela em que a ponta Dos teus cabelos ou cigarros arde Sobre mim. E esta manhã chegou tão triste E bela, como se fosse possível Haver gatos na varanda ao sol Como se fosse possível Haver pessoas no metro a falar da “manhã que está tão bonita” Como se fosse possível As flores lançarem as corolas sobre as abelhas Como se fosse possível O cheiro do café e os beijos dos namorados. Como se fosse possível Os pássaros e a música das árvores como um rio Como se fosse possível Como se fosse possível haver manhãs sem ti…

Chat de mon âme

Foto: Direitos Reservados Soneto do gato morto Um gato vivo é qualquer coisa linda Nada existe com mais serenidade Mesmo parado ele caminha ainda As selvas sinuosas da saudade De ter sido feroz. À sua vinda Altas correntes de eletricidade Rompem do ar as lâminas em cinza Numa silenciosa tempestade. Por isso ele está sempre a rir de cada Um de nós, e a morrer perde o veludo Fica torpe, ao avesso, opaco, torto Acaba, é o antigato; porque nada Nada parece mais com o fim de tudo Que um gato morto. Vinicius de Moraes Florença, 11.1963 in Livro de Sonetos in Poesia completa e prosa: "Poesia varia" Agradecimentos ao sonetista, conterrâneo da poesia

O amor é uma roleta russa

Foto: Direitos Reservados Foi na noite que te encontrei. É Na germinação do outro dia, entre o êxtase de um e o cheiro fétido do que virá, que nos encontramos...Talvez nunca te volte a ver, talvez a nossa conversa seja esquecida, talvez tenhamos a mesma conversa com outra pessoa e já não sabemos se as palavras que estamos a dizer foram as tuas ou as minhas . É assim que a noite acontece. Não sei nada de ti.Não sabes nada de mim. Os dados estão lançados. De repente, chegamos ao amâgo , e falamos dos nossos amores,dores, medos, de repente aquela pessoa é portadora da minha palavra. O facto de falarmos numa mistura de francês e inglês também ajuda...Muitas vezes temos medo de ouvir na nossa língua o que nunca seríamos capazes de proferir.É como usar uma máscara. Essa é uma das justiicações para o fenómeno transnacional das relações. Mas continuando....Entre teorias, (porque nós jovens achamos que o Mundo ainda está por descobrir...Desilusão total quando afinal descobrimos que toda a gen...

O dia hoje é Poesia

Para este dia tão especial, escolhi o meu poeta preferido,autor do meu poema de eleição. Leiam-no a media voz. Não se assustem com a clareza das palavras: claras, límpidas,certeiras. Ao ouvir o poema ouço água dentro de mim, riachos, pequenas brechas num jardim tão escuro como é o da alma. Adeus Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no te...
Manifestations pour la paix en Irak LEMONDE.FR | 19.03.07 ©

"O Beijo" de Klimt

Um beijo diferente dos outros Início do século XX. Klimt, um amante da mulher, quis com este quadro, representar a sua emancipação, a sua satisfação enquanto ser igual em direitos e vontades. A mulher já não oferece a boca para beijar o homem, ou tem os lábios entreabertos a sugerir um beijo, como acontece noutros quadros do pintor. Está de olhos fechados, com um ar feliz e senhora de si.

A Primavera chegou.

Boas notícias da Polónia...A garrafa de Porto foi finalmente aberta, ao som de um "Fado das dúvidas", e um calor sem dúvida lusitano. Pensar como as nossas coisas e sentimentos podem estar num país tão distante e diferente. Pensar nisso é fantástico, sufoca-nos com a ubiquidade quase surreal.Pensar nisso é encher-me de felicidade e saber que agora mais do que nunca sou uma referência espaco-temporal desta cidade, país...Pensei que num ápice a garrafa desapareceria. Mas afinal, andou 10meses contigo a passear.. Hoje fazem no Porto 21º. O polén das flores cai de mansinho como flocos de neve. Ouço também agora Madredeus.Estás Tão longe e tão perto.De todas as dúvidas que tenho, serás talvez a maior. Prefiro a tua incerteza e alimentar-me da tua memoria, do que a certeza de não te ver nunca mais. De qualquer forma, haverá sempre um vinho e um país por visitar. A vida é bela. Fado Das Dúvidas Madredeus Composição: Pedro Ayres Magalhães (...) Não sei amor onde andarás Pergunto o t...

Saudade , um pássaro sem nome, país ou língua.

Fronteiras de mim Hoje,aqui em Veneza, Sou as pontes E as mil pombas que em mim voam. Corro, Em cada esquina um amor, Paixão invisível. A praça é a de S.Marcos. O tempo ,a Juventude. O relógio ,cor do céu, Parou para nós o tempo, Num dourado eterno. Deixei de ser o leão De asas aladas [1] . O meu peito é água, A respirar A Dor e a Saudade, De te ver chegar e partir Dessa Europa sem fronteiras. Hoje, sou as pontes de Veneza, Dentro de mim, Partidas. [1] O leão com asas é o símbolo de S.Marcos, Santo de veneza Agradecimentos à minha queridíssima Marta, que muito me ajudou na tradução e também ao meu professor de inglês, que no seu pragmatismo romântico me ensinou a não ter medo da chuva. Borders of me Today, here in Venice, I ‘m its bridges And the one thousand doves, Inside me Flying. I run, In each corner, A love, Unseen passion. The square is the Saint Marcus one. The Time, the youth. The clock , colour of the sky, Stopped the time for us. In an eternal gold. I’m no longer the winge...

Um presente chamado Neruda

Foto: Direitos Reservados Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas. Pablo Neruda