Há dias em que não te entendo. És frio e insensível como a névoa que se abate sobre ti. E mágico ao mesmo tempo. És difícil de perceber, fechado e misterioso como um gato. As tuas ruas estreitas contam-me segredos e murmuram beijos Que não podemos ver nem tocar. Tudo em ti é passado, história e amor. O teu rio tem a cor da sombra e da luz, Um olhar cinzento, mas doce e belo ao mesmo tempo. Sobre ti, A ponte D.Luís estremece como um coração partido. Nas vielas ouvem-se palavrões para dar graça à tristeza E transformar pedaços de nada em poesia. O teu coração é feito de granito: seguro e invicto. Uma coluna fria que esconde um pulsar infinito. Quase sempre não te entendo, Mas é por isso que nunca te esqueço. Para onde quer que eu vá.
Um diário-lugar de ilusão óptica em que a palavra , prosa, crónica ou poesia não escapa à lente do sentimento.