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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2007

O dia Seguinte. Reflexões

O dia seguinte Reflexões Confeitaria do Bolhão,fim da tarde. Estou sentada nos sofás ao lado de um grupo de senhoras, tratando-se por “Donas” e oferecendo sorrisos de meninas- sorrisos que não vejo nas meninas de 16 e 17 anos que afugentam a rua de S.catarina com a sua indiferença líquida e efémera- , sorrisos que embalam os ramos de flores vermelhas que pintam as paredes verdes.Entra um cantor ambulante de traços ciganos. O som de uma flauta, uma balada italiana que faz dançar os átomos da sala e estremecer o meu cabelo que saiu do chapéu. Uma súbita alegria invade-me, como se um Orfeu tivesse entrado naquela sala para anunciar a Primavera.Estou sozinha, não há razão para o súbito alegrato, pode ser da presença das senhoras felizes ou a lembrança de uma Itália feliz. Não sei. Mas afinal é possível. Hoje é o meu primeiro dia depois de tudo. Acabam de entrar duas raparigas. Uma delas, uma antiga colega de trabalho. Discorre na perfeição sobre Kant e sabe um pouco de tudo. Daria uma exce...
Milão, Agosto 2006 Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco Mário Cesariny

As cartas que nunca te escrevi

A Cyrano de Bergerac Junho 2005 O S.João é o grito de uma pessoa possessa, louca de amor ou talvez apenas de dor. Uma noite mágica. Linda. Pela neblina da ribeira e o negro veludo do céu , viajamos até a um templo dentro de nós. E lá, nesse sítio escuro, de paredes românicas, tudo se desfaz em lágrimas humanas. E em catarse, toda a nossa dor, os pequenos fantasmas que escondemos dentro de nós, começam a suspirar no ar que respiramos, nos beijos que roubamos nas ruas estreitas, nos copos que escorregam turvos na boca que não sabe. E assim, nesse compasso triste, vamos abrindo o corpo à noite e a alma à brisa rude do rio Douro. Pouco a pouco, o templo volta a erguer-se, a D.Luís sorri em arcos de luz e as gaivotas,no céu escuro, acenam-nos em piruetas de sonho. Devagar, a noite vai caindo nos nossos ombros e a manhã surge na nossa boca. Junho 2006 Um ano passou... Agora, olhando sozinha o rio, vejo sombras de asas no lugar dos teus braços, vejo o teu sorriso rasgar-se no vento, e vejo no...

Quando perdi a carteira e acabei a cantar Space Cowboy

Sábado, chuvoso, triste, pensamentos, sentimentos contraditórios, vontades, frio, calor....bah!...Pano de fundo de um belo dia de azar. Saio para me inscrever no ginásio.Optimo. Ver gente fútil, estar numa piscina de água quente, flutuar na ilusão de estar em Veneza completamente longe de tudo, é melhor ke tudo num dia frio e cinzento. Eis que a tragédia, prefiro dizer tragicomédia, e em frances porque tem mais pinta, tragicomédie, começa....Estou já no metro, a correr a chuva, sim eu sei, "new rains, new loves", mas nesse instante os meus instintos eram mais alimentares ke outra koisa e aquele cheiro irresistível do pão quente do Marquês...hm....ok...Depois, 3ºacto, consumou-se a tragédia: a minha carteira desaparece, com tudo e exactamente tudo, bi, passe, cartao recentemente tirado do ginasio, 2oeuros, cartao de credtito, 2fotografias antigas, o nº do nib, enfim...a minha vida resumiu-se a uma carteira...cor-de rosa!ah, un petit detaille, em francês fika mais subliminar(su...

Quando choves

Póvoa,Agosto2005 Quando choves O teu riso de ouro Continua a troar cá dentro, Cócegas enormes na alma. Os teus olhos, dois Mundos em órbita, Parecem estar ainda nos meus dedos. Vejo-te também de joelhos, A pedir-me em casamento. Sempre esse pedido, Quando o medo de partir, Aparecia negro, com uma nuvem. Está a chover, Grossas pingas entram pela roupa Arrepiam-me nesta viagem. Um tango de mim sem ti E de ti sem mim. Quando foi o fim? Foi Quando me disseste “uma rosa picou-me o dedo”? Sangrei tanto nessa altura.... Há uns dias li um poeta espanhol , Que dizia "há anos do passado Que são como uma frase riscada" [1] . Não há desculpas para o amor. Se fugi, se não tive coragem, Se fiz de ti um segredo (ainda que o mais bonito do mundo) Foi porque te amei, E cega andei errante, Sem saber que também me amavas. Não sei tirar o risco sobre a frase. Será mais fácil desenhar palavras novas. O Presente doi com a tua lembrança, Como a chuva sobre os lábios, Lembra-me os teus beijos... [1...

No teu peito o Mar

Foto: FC Cabo Verde, Santa Maria, Sal No teu peito o Mar Branco e sereno, O teu peito. Nuvens húmidas, Em que afundo o medo E me tiro ao sonho De ir além mar. Na tua calma, Encontro a sensata Insensatez De seres doce E não saberes. Na minha insensatez, Descubro a vontade De ser Primavera, Despir-me do frio E dar-te todas As borboletas Que tenho dentro De mim. Na maré mais alta, A tua boca sobe E é flor, Espuma que bebo Com toda a sede De te querer. No teu peito o mar. A água Em que hoje me deito.

Sartre e eu

Trabalho para Design- A existência

A Luz do Porto

A Luz do Porto Conhecida pelo seu brilho de pérola , a luz de Lisboa é já um símbolo incontestável da dona e senhora do país. Não esconde o seu desejo divino de transcendência. Afinal, carrega em si o fatum de ser filha da capital. Prova disso é o Tejo no seu largo espelho reflector.Aos alfacinhas cabe o papel de guardiões: narcísicos na contemplação do rio, esquecem-se de olhar mais além. O Porto também tem a sua luz. Os guardiões da luz de Lisboa, apoiados na sua bengala, decidiram catalogar a Invicta com os termos “chuvosa” e “escura”. Palavras que se escondem no guarda-chuva invejoso da capital. Palavras que são como bátegas, daquelas que vêm de rompante e desaparecem com o sol que pinta de bronze as margens do Douro. E é essa a luz que experimento quando me perco neste pensamento, quando percorro a Mouzinho da Silveira até à ribeira , quando atravesso os jardins do Palácio e me sento num banco vermelho e vejo, pela fresta dos velhos chorões, a luz mesclada de pequenos fios de ouro...
Foto: FC Publicidade- Metro, Londres