O dia seguinte Reflexões Confeitaria do Bolhão,fim da tarde. Estou sentada nos sofás ao lado de um grupo de senhoras, tratando-se por “Donas” e oferecendo sorrisos de meninas- sorrisos que não vejo nas meninas de 16 e 17 anos que afugentam a rua de S.catarina com a sua indiferença líquida e efémera- , sorrisos que embalam os ramos de flores vermelhas que pintam as paredes verdes.Entra um cantor ambulante de traços ciganos. O som de uma flauta, uma balada italiana que faz dançar os átomos da sala e estremecer o meu cabelo que saiu do chapéu. Uma súbita alegria invade-me, como se um Orfeu tivesse entrado naquela sala para anunciar a Primavera.Estou sozinha, não há razão para o súbito alegrato, pode ser da presença das senhoras felizes ou a lembrança de uma Itália feliz. Não sei. Mas afinal é possível. Hoje é o meu primeiro dia depois de tudo. Acabam de entrar duas raparigas. Uma delas, uma antiga colega de trabalho. Discorre na perfeição sobre Kant e sabe um pouco de tudo. Daria uma exce...
Um diário-lugar de ilusão óptica em que a palavra , prosa, crónica ou poesia não escapa à lente do sentimento.