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Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2007

Flamenco Jazz

Há um género jornalístico que muito aprecio, a crónica...Porém não é fácil tratá-la, uma vez que exige um olhar crítico e assertivo, e ironicamente da-nos ao mesmo tempo uma maior liberdade literária.Muitas vezes, nomeadamente no que diz respeito a uma crónica cultural, sobre um concerto por exemplo, torna-se bastante difícil definir os limites do que deve ser objectivamente dito e o que é subjectivamente necessário ser dito para que o que foi objectivamente dito, mais do comunicado, seja sentido, cheirado, tocado... Como é possível definir a música objectivamente, se a ela está associada uma sinestesia tão profunda e variada? Bem, resolvi arriscar e fazer uma crónica, ou antes,uma interpretação de um estilo Musical ainda pouco conhecido pelo grande público. Um dia posso publicar um pouco da sua história e raízes( curiosamente nasceu nos EUA!), mas para já proponho uma viagem de barco através da poesia, ao fabuloso mundo do Flamenco Jazz. Escolhi a música "Alegria Callada" D...

S.João,darling

Foto: Direitos Reservados Chegaste finalmente. I Acto Pela noite fora, lançamos balões, um misto de ternura rude das gentes do norte com um misticismo oriundo talvez da saudade fatalista que achamos que só no sul existe.No céu azul, as bolas de fogo brilhavam redondas como luas a dançar embriagadas.O vermelho que as incendiava, um prolongamento dos nossos corações cá em baixo a vê-los voar. Nesses balões, todos os nossos pedidos mais genúínos. Nesses pedidos,lá no alto,tu. II Acto A peregrinação dos nossos pés cansados de subir as ruas tortas e íngremes da baixa até à ponte que o Eiffeil sonhou um dia, talvez numa bela noite de S.joão. Nunca esperou ele que esta sua construção pudesse um dia ganhar vida. Sim vida, a certa altura a polícia teve mesmo de intervir ao início da D.Luís, para que ninguém mais entrasse. Estava de facto a tremer. As pessoas saíam lívidas da ponte.Depois de cuspir labaredas e levar o povo ao extâse, ei-la ,pequena e doce menina a tremer sobre as próprias lág...

The real train(um ano depois)

Foto: FC Existem dois tipos de comboio: os de sonho e os reais. O primeiro nasceu com Watt, com a sua bela máquina a vapor adaptada a comboio, transformando-se depois em brinquedo.O outro, o comboio real é o que dá corda aos nossos desejos, vontades,sentimentos mais secretos, medos, e incertezas. Descobri o comboio onírico durante o encantamento da infância. O comboio real,esse,conheci contigo. ..... Estação de Campanhã. Sete da tarde. A voz impessoalmente treinada anuncia mais uma partida do alfapendular em direcção a Lisboa. Fiquei feliz por teres vindo.Desta vez, quis presentear-te com um vinho do Porto, um dos antigos da minha família. Não sei se chegaste a ler a carta que coloquei junto da garrafa. Terás lido ainda no comboio? No aeroporto?Ou muito tempo depois, num Natal com a família, a milhas de distância de Portugal? Independentemente do tempo, espaço ou motivo, espero que tenhas percebido o sentido e talvez esse se torne uma forma de ubiquidade entre os dois e não de u...

Pianos de mim

(Para a Beatriz) A minha prima pediu-me para neste dia publicar uma carta. Porém decidi escrever esta pequena reflexão sobre a minha ainda curta existência. Para isso tive de recorrer a muitas "mãos" e à música do piano que redescobri em mim. Este texto foi escrito para todas as pessoas que fizeram da palavra amor uma nota de música, jamais esquecida dentro de mim. (Para Eduardo) Não resisiti a roubar-te a imagem do lago, o lago da minha querida infância...Obrigada peixinho vermelho. Pianos de mim Já sentia o que senti com o livro de José Luís Peixoto, “Cemitério de Pianos” há muito tempo. Foi preciso ter passado pela adolescência e pelas múltiplas metamorfoses de mim, em que eu era apenas um corpo de passagem, sempre em construção e desconstrução, para novamente una e cheia de água poder sentir a força de um mundo passado que me habita e me faz ver por dentro sem precisar de um espelho. Terá sido com o filme, “Pianista”, com os nocturnos frios de Chopin que uma mola...