Há um género jornalístico que muito aprecio, a crónica...Porém não é fácil tratá-la, uma vez que exige um olhar crítico e assertivo, e ironicamente da-nos ao mesmo tempo uma maior liberdade literária.Muitas vezes, nomeadamente no que diz respeito a uma crónica cultural, sobre um concerto por exemplo, torna-se bastante difícil definir os limites do que deve ser objectivamente dito e o que é subjectivamente necessário ser dito para que o que foi objectivamente dito, mais do comunicado, seja sentido, cheirado, tocado...
Como é possível definir a música objectivamente, se a ela está associada uma sinestesia tão profunda e variada?
Bem, resolvi arriscar e fazer uma crónica, ou antes,uma interpretação de um estilo Musical ainda pouco conhecido pelo grande público. Um dia posso publicar um pouco da sua história e raízes( curiosamente nasceu nos EUA!), mas para já proponho uma viagem de barco através da poesia, ao fabuloso mundo do Flamenco Jazz.
Escolhi a música "Alegria Callada" De Chano Domínguez, do albúm "In Íman".
Porto, Abril, 2007
“Allegria calada “
A primeira vez que te vi, não te vi.
Ou melhor…
Não sabia ainda do teu cheiro a amor,
Dos teus cabelos pretos, nem dos
Teus olhos cor de azeitona.
O que eu vi, foram apenas as tuas mãos,
As tuas mãos morenas.
……
Os teus dedos,
Quando quedos,
São como duas teclas de piano,
Lisas e brilhantes,
À espera de serem tocadas.
Olhando mais de perto,
Descubro o moreno das praias do sul,
O cheiro do mar e
A espuma nas tuas unhas brancas.
Juntas, as tuas mãos têm a forma de um cavalo
Galopando num tango,
Entre as dunas quentes da areia
E O frio da tijoleira.
Possantes,
Elas seguram másculas,
A cinta doce e volátil
Da guitarra.
Dá-se o encontro.
Da guitarra,
Soltam-se palavras de amor,
No piano,
A água percorre as curvas femininas.
Em mim,
Tiritam os veios,
Da flor vermelha que rasga o pulso.
De repente,
Não vejo mais o piano
Nem as teclas brancas,
A guitarra ou
A cinta de bailarina.
Sou apenas eu,
Entre dois pássaros,
Castanholas
e um céu que é de facto azul.
Como é possível definir a música objectivamente, se a ela está associada uma sinestesia tão profunda e variada?
Bem, resolvi arriscar e fazer uma crónica, ou antes,uma interpretação de um estilo Musical ainda pouco conhecido pelo grande público. Um dia posso publicar um pouco da sua história e raízes( curiosamente nasceu nos EUA!), mas para já proponho uma viagem de barco através da poesia, ao fabuloso mundo do Flamenco Jazz.
Escolhi a música "Alegria Callada" De Chano Domínguez, do albúm "In Íman".
Porto, Abril, 2007
“Allegria calada “
A primeira vez que te vi, não te vi.
Ou melhor…
Não sabia ainda do teu cheiro a amor,
Dos teus cabelos pretos, nem dos
Teus olhos cor de azeitona.
O que eu vi, foram apenas as tuas mãos,
As tuas mãos morenas.
……
Os teus dedos,
Quando quedos,
São como duas teclas de piano,
Lisas e brilhantes,
À espera de serem tocadas.
Olhando mais de perto,
Descubro o moreno das praias do sul,
O cheiro do mar e
A espuma nas tuas unhas brancas.
Juntas, as tuas mãos têm a forma de um cavalo
Galopando num tango,
Entre as dunas quentes da areia
E O frio da tijoleira.
Possantes,
Elas seguram másculas,
A cinta doce e volátil
Da guitarra.
Dá-se o encontro.
Da guitarra,
Soltam-se palavras de amor,
No piano,
A água percorre as curvas femininas.
Em mim,
Tiritam os veios,
Da flor vermelha que rasga o pulso.
De repente,
Não vejo mais o piano
Nem as teclas brancas,
A guitarra ou
A cinta de bailarina.
Sou apenas eu,
Entre dois pássaros,
Castanholas
e um céu que é de facto azul.
Comentários
Me alegro mucho de ver que compartimos gustos también musicales.
Eu vi ao Chano no festival de jazz de San Javier mas tenho de dizer que eu prefiro sozinho, mais pertinho do alma que com o novo grupo.
Se gostas dele é posivel que também gostares de Michel Camilo. O conheces?
Beijinhos do sul.