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Mensagens

A mostrar mensagens de 2007

A Luz de Lisboa

Foto: Pedro Pinheiro Há um ano escrevi uma crónica sobre a luz dourada da minha querida cidade do Porto, em defesa daqueles que exaltam apenas a luz branca e "cândida" de Lisboa... Em Setembro, ironia do destino, a companhia aérea que me levou ao Brasil não me deixou sair no Porto, onde o avião fez escala....Pois é, vi-me sozinha com um malão, no aeroporto superlotado de ingleses antipáticos e polacos fanáticos que vinham para um jogo de futebol na capital. Eis que encontro duas pessoas muito especiais, o Pedro e a Beatriz, que estavam pacientemente à minha espera. E que surpresa... E que maravilha fazer-me percorrer por duas mãos já tão conhecidas, pelas ruas da Baixa, pelo Rossio, pelo elevador de Santa Justa, até me deixarem no "Adamastor", uma espécie de piolho com uma bela vista sobre o Tejo. As mesmas mãos que eu levei para conhecer o Porto. As mesmas mãos que me fazem não ter medo do passado, do presente nem do futuro. E que luz tão branca de facto. uma folha...

Gonçalo M. Tavares conquistou o maior prémio literário do Brasil

18.10.2007, Jorge Marmelo O Prémio Portugal Telecom, de 39 mil euros, foi atribuído por unanimidade ao romance Jerusalém, que já tinha vencido o Ler Millennium BCP, em 2004, e o José Saramago, em 2005 O romance Jerusalém, do escritor português Gonçalo M. Tavares, é o vencedor da quinta edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura, o maior prémio literário atribuído no Brasil. O anúncio da obra premiada foi feito ontem de madrugada, em São Paulo, tendo o segundo e terceiro lugares sido atribuídos, respectivamente, a Macho Não Ganha Flor, do brasileiro Dalton Trevisan (autor que vencera ex aequo a primeira edição do prémio, em 2003, com Pico na Veia), e a História Natural da Ditadura, do também brasileiro Teixeira Coelho. Mais informação (página 10) Público

"Não voltes a temer o sol ardente....

Nem a fúria do Inverno" Shakeaspeare O Outono chegou ao calendário, mas as ruas do Porto parecem ainda quentes e as folhas verdes permanecem agarradas como se não quisesse separar-se dos ramos-mãe. Estão uns amenos 22ºgraus em pleno Outubro e um sol ardente que engana a brisa que vai varrendo pequenas folhas. Um cenário que talvez tenhas sido tu que encomendaste, quando te foste embora. Terás deixado pelas ruas pequenos fios de ouro que os pássaros trataram de espalhar pela baixa, pelas pessoas, pelas casas ainda de janelas abertas, pelos dias que ainda cheiram a ti, à ânsia de ouvir a tua voz ao cimo da rua, atrás do número 152. Mas quando o Inverno chegar, não me digas nada, faz de conta que o Verão mais bonito do mundo ainda está para acontecer. Não digas nada. Prepara um cenário de rosas, polén, e doces dias para esquecer a falta que tu me fizeste.

Uma questão existencial

Foto: Direitos Reservados “Os Jardins da Memória”, livro escrito pelo prémio Nobel da Literatura de 2006, apresenta-se como um pequeno baú de histórias dentro de histórias, personagens-fantasma de uma Turquia a viver uma crise de identidade política e civilizacional, dividida entre o Ocidente e o grande legado cultural do Médio-Oriente. Intercalando entre a narrativa e as crónicas de um jornalista turco bastante influente, Orhan Pamuk aborda temas como o dos antigos escritores, poetas e pensadores turcos e a influência que exerceram sobre as grandes obras da cultura europeia (caso da “Divina Comédia”, de Dante); no fundo, estende uma tapeçaria oriental ao mundo ocidental. Mas Pamuk debruça-se também sobre questões tão humanas e complexas como a da memória, a da busca de uma “identidade” e a importância do houroufismo na cultura turca, uma prática que constituía em ler letras e signos nos rostos. Este é aliás, o cerne do romance: poderemos ser nós próprios, querendo ser outro? De que fo...

Brasil, uma cultura viva

Foto: Filipa Cardoso "Olha que coisa mais linda, tão cheia de graça...." Apetece dizer a uma morena de vestido branco folhado, sentada numa pose de fadista, no auge de uma noite tropical na "Toca da Joana", um dos pontos de encontro da noite alternativa do Recife. Os músicos riem- reparem, não se limitam a sorrir!- nos seus violões de notas soltas e alegres, nos seus instrumentos de percussão, nos seus pés que dançam sem sair do chão. Os "garçons" trazem a cerveja, num baile de cisnes com ritmos de maracatu e sorrisos requebrados. Nas mesas, os dedos tamborilam e os ombros soltam suspiros ao sabor da chuva e esse gosto a novo que fica no ar. Lê-se nos rostos de traços mestiços, uma esperança transformada em certeza, um certo "savoir faire" que o brasileiro põe em tudo o que faz. "Brasil,um país do Futuro"- li na capa de um livro de uma socióloga, na livraria cultura- ,. E esse optimismo utopista insinua-se na água quente da chuva, como ...

Um Recife de contrastes

Foto: Filipa Cardoso (em construção) Um arco-íris de paralelepípedos colocados como peças de lego entre um matagal tropical de palmeiras e outras árvores de copa exuberante.Este é o quadro de traços realistas que avisto quando acordo do sétimo andar de um prédio situado na zona da Casa Forte. Cá em cima, dentro do apartamento da calorosa família que me acolheu, respira-se a segurança de um arroz com feijão preto a tempo e horas preparado pela empregada de olhos doces. Lá em baixo,um porteiro resguarda o prédio da massa humana que molda as ruas do Brasil de medo,pobreza e tristeza.Como palhaços tristes, lá estão eles nos semáforos à nossa espera com fruta para vender e panos para limpar os vidros escuros que nos esperam. Digo "Nós", porque também eu me faço percorrer pelas ruas do recife num carro de vidros escuros. Como se tivessemos vergonha que nos vissem nas nossas carteiras e óculos escuros, e um medo simultâneo da violência do que não tem e quer ter.Também eu tenho medo....

As Palavras que não digo

As folhas amarelas que piso São as palavras que não digo. O vento , Uma Penélope triste com seu lenço Pedaços de nada Para tecer a tristeza Camuflar a incerteza Calar uma lágrima calada Tudo, Para que não vejas Os fios de água , Outrora riso, pequeno rio, Grito de alegria. Canto de crianças ébrias, Entre ervas que picavam as pernas E calejam os músculos de tanto procurar O sentido desse sórdido, carnal amar Tempo de um Nós-não-quebrável, Agora nó desdobrável: Na saliva o mar, Nos olhos, a espuma, No peito As Plumas , Das asas Deixadas Sobre a cama. E tu não vês, As palavras que eu não digo, O brilho quebradiço da Lua Sobre a porta ao fundo da rua. As palavras que não digo… A verdade tão crua Como a lua estar nua E esta noite ser a última. Para o David

Para onde os teus olhos estão a olhar....

....Os meus estão também. Olhas para mim. sinto esse olhar. E é como se olhasses pelas persianas dos meus olhos.Entreabertas pela luz do teu sorriso e os pedaços de sol que saem da muralha. Unforgettable.

Portugal na Presidência da UE

Recentemente Portugal assumiu a presidência da União Europeia. De facto, não poderia ter vindo em melhor altura: o tapete da UE estendeu-se exactamente no momento em que era necessário esconder os resquícios de um mal acabado caso "Independente", e por ventura esquecer que temos um Primeiro Ministro a governar o país que não teve coragem suficiente para se mostrar com um bacharelato. Tal como no tempo dos descobrimentos, as descobertas da Índia e do Brasil e o cheiro da canela e do cacau serviam para disfarçar o mau cheiro intriguista da corte, agora a presidência portuguesa na UE serve para disfarçar o pequenino pormenor da ausência de um presidente da Câmara na capital do país, que por acaso é aquele que está à frente da UE. Bem, outra característica colonial, prende-se com o facto da estratégia política portuguesa na UE ter como grandes prioridade o Brasil e África. Mais uma vez é necessério recorrer ao samba e às mornas para dar alguma vida à nossa actuação política e d...

Flamenco Jazz

Há um género jornalístico que muito aprecio, a crónica...Porém não é fácil tratá-la, uma vez que exige um olhar crítico e assertivo, e ironicamente da-nos ao mesmo tempo uma maior liberdade literária.Muitas vezes, nomeadamente no que diz respeito a uma crónica cultural, sobre um concerto por exemplo, torna-se bastante difícil definir os limites do que deve ser objectivamente dito e o que é subjectivamente necessário ser dito para que o que foi objectivamente dito, mais do comunicado, seja sentido, cheirado, tocado... Como é possível definir a música objectivamente, se a ela está associada uma sinestesia tão profunda e variada? Bem, resolvi arriscar e fazer uma crónica, ou antes,uma interpretação de um estilo Musical ainda pouco conhecido pelo grande público. Um dia posso publicar um pouco da sua história e raízes( curiosamente nasceu nos EUA!), mas para já proponho uma viagem de barco através da poesia, ao fabuloso mundo do Flamenco Jazz. Escolhi a música "Alegria Callada" D...

S.João,darling

Foto: Direitos Reservados Chegaste finalmente. I Acto Pela noite fora, lançamos balões, um misto de ternura rude das gentes do norte com um misticismo oriundo talvez da saudade fatalista que achamos que só no sul existe.No céu azul, as bolas de fogo brilhavam redondas como luas a dançar embriagadas.O vermelho que as incendiava, um prolongamento dos nossos corações cá em baixo a vê-los voar. Nesses balões, todos os nossos pedidos mais genúínos. Nesses pedidos,lá no alto,tu. II Acto A peregrinação dos nossos pés cansados de subir as ruas tortas e íngremes da baixa até à ponte que o Eiffeil sonhou um dia, talvez numa bela noite de S.joão. Nunca esperou ele que esta sua construção pudesse um dia ganhar vida. Sim vida, a certa altura a polícia teve mesmo de intervir ao início da D.Luís, para que ninguém mais entrasse. Estava de facto a tremer. As pessoas saíam lívidas da ponte.Depois de cuspir labaredas e levar o povo ao extâse, ei-la ,pequena e doce menina a tremer sobre as próprias lág...

The real train(um ano depois)

Foto: FC Existem dois tipos de comboio: os de sonho e os reais. O primeiro nasceu com Watt, com a sua bela máquina a vapor adaptada a comboio, transformando-se depois em brinquedo.O outro, o comboio real é o que dá corda aos nossos desejos, vontades,sentimentos mais secretos, medos, e incertezas. Descobri o comboio onírico durante o encantamento da infância. O comboio real,esse,conheci contigo. ..... Estação de Campanhã. Sete da tarde. A voz impessoalmente treinada anuncia mais uma partida do alfapendular em direcção a Lisboa. Fiquei feliz por teres vindo.Desta vez, quis presentear-te com um vinho do Porto, um dos antigos da minha família. Não sei se chegaste a ler a carta que coloquei junto da garrafa. Terás lido ainda no comboio? No aeroporto?Ou muito tempo depois, num Natal com a família, a milhas de distância de Portugal? Independentemente do tempo, espaço ou motivo, espero que tenhas percebido o sentido e talvez esse se torne uma forma de ubiquidade entre os dois e não de u...

Pianos de mim

(Para a Beatriz) A minha prima pediu-me para neste dia publicar uma carta. Porém decidi escrever esta pequena reflexão sobre a minha ainda curta existência. Para isso tive de recorrer a muitas "mãos" e à música do piano que redescobri em mim. Este texto foi escrito para todas as pessoas que fizeram da palavra amor uma nota de música, jamais esquecida dentro de mim. (Para Eduardo) Não resisiti a roubar-te a imagem do lago, o lago da minha querida infância...Obrigada peixinho vermelho. Pianos de mim Já sentia o que senti com o livro de José Luís Peixoto, “Cemitério de Pianos” há muito tempo. Foi preciso ter passado pela adolescência e pelas múltiplas metamorfoses de mim, em que eu era apenas um corpo de passagem, sempre em construção e desconstrução, para novamente una e cheia de água poder sentir a força de um mundo passado que me habita e me faz ver por dentro sem precisar de um espelho. Terá sido com o filme, “Pianista”, com os nocturnos frios de Chopin que uma mola...

La vie en rose

Foto: Direitos Reservados Edith Piaf...Que sabemos nós dela?Toda a gente entoa o "La vie en rose" e alguns o "hymne À l'amour", mas quase ninguém sabe como foi a vida atribulada, feita de perdas e internações hospitalares desta pequena mulher de voz e personalidade indissociáveis. Fiquei estarrecida e enternecida com a vida daquela mulher puissante de 1.50 de altura,uma voz que me faz estremecer o chão debaixo dos pés e soltar as lágrimas que escondo na manga da camisa. Um filme como há muito não se fazia. Uma excelente forma de tentar perceber aqueles olhos azuis sempre muito abertos e os seus gestos de pardal assustado. Uma forma também de olharmos um bocadinho para os aspectos simples e tão ou mais importantes. Recordo uma cena final em que a Edith, já bastante debilitada e depois perder o seu amor (o pugilista Marceaux), responde a uma jornalista o que para ela era mais importante na vida: "L'amour!". Bonito mesmo. Depois de ver o filme passei ...

Darfur is real.

SaveDarfur.org has a post called " Background " that's worth checking out... DOWNLOAD: Policy Talking Points (Updated 3/30/07)Darfur has been embroiled in a deadly conflict for over three years. At least 400,000 people…

Um encontro com Cervantes

Foto: Direitos Reservados Praça de Cervantes, Santiago de Compostela Há cerca de umas três semanas fui conhecer Santiago.Uma cidade muito bonita, bastante ao estilo de Guimarães e Braga. A catedral insurge-se imponente, no seu estilo barroco, marca de uma História de muitas histórias de pessoas, épocas, pestes, amores, divisões,paixões´, inquisição, morte, vida... Mas o melhor em Santiago são as ruas: dá vontade de nos perdermos e encontrarmos por acaso um jardinzinho, numa espécie de claustro público, com flores vermelhas e tocadores.Dá vontade de contornar com os dedos os arcos de pedra do túnel por onde passo. Foi nesse acaso que encontrei a praça de Cervantes, assim quase como me perdendo. Fiquei feliz. Foi um belo encontro. De facto, é o acaso que mais me encanta em lugares novos. Foi ao acaso que me apaixonei perdidamente por Itália a cada esquina que cruzava, a cada janela que se abria nos típicos prédios antigos de portadas coloridas e flores a cair pela janela, apaixonei-me p...

San Jordi, dia da Rosa e dia dos namorados na Catalunha

Foto: Direitos Reservados Foto: Direitos Reservados Pensava que o dia dos namorados era aquele dia 14 de Fevereiro, um dia em que se dão rosas que não cheiram e corações de vidro que se partem logo. Porém, tive a sorte de conhecer o Xavier,magnífico exemplar da beleza típica e graciosa dos morenos do sul.Poeta e sonhador também, como bom filho de Cervantes. Vindo de Tarragona, Catalunha, Xavier deu-me a conhecer o dia dos namorados na região por altura do Verão.Era Julho e as ruas do Porto gozavam daquela calma apaixonada. A luz amarela, as palavras e as ruas, tudo parecia confluir num perfeita simbiose a cantar como um rio canta entre as pedras e as curvas do caminho. Hoje, dia 23, evoco essa alegria calada e a rosa vermelha que me trouxeste em representação de San Jordi para contar sucintamente essa lenda: certo dia, a donzela mais bonita do reino é raptada por um dragão.São Jorge( san Jordi),valoroso cavaleiro, vai resgatar a bela senhorita. Este consegue vencer o dragão e no l...

Saudades de um Beija-flor

Foto: Direitos Reservados Gosto de quando te calas E sorris, assim calado, À espera de um beijo meu. Gosto de quando te calas E me abraças com as duas meninas Dos teus olhos. Gosto de quando te calas E soltas palavras meigas dos teus dedos, Palavras de um beija-flor Ao de leve passeando, Pela minha perna. …. E Talvez me amasses ainda, Se te dissesse, Que de olhos fechados, Podia ouvir o beija-flor Tactear dentro de mim.

O Porto em poesia

Encontrei na fnac, na míngua prateleira destinada à poesia, um livro fabuloso de poesia dedicada ao Porto.Trouxe parte deste poema comigo: In Carta de Agosto (...) ' Há palavras gastas que não escrevo nem digo há tanto [tempo como: Amo-te muito, meu amor, que saudades, vem depressa E outras palavras ainda mais gastas que digo [todos os dias: 'Foda-se esta merda( somos do Norte e e não somos castos nem cautos na língua) (...) Inês Lourenço

Sometimes in April

Foto: Direitos Reservados 1994, Rhuanda, a tensão aumenta. Os hutus querem vingar-se dos Tutsis,antigo povo priveligiado pelos belgas, aquando a colonização. Acontece a tragédia... Não sou capaz de escrever. Qualquer tentativa de descrever o massacre soava a falso. Para quem quiser saber o que nunca soube e a comunidade internacional(os media também) calou, veja o filme 'Sometimes in April'. Se preferirem uma versão mais hollywodesca, aconselho "Hotel Rhuanda",muito bom.

Sushi,amigos, rosas e sangue

Um jantar que começou a ser feito as 20h e só ficou pronto a meia noite.Nunca pensei que o peixe cru pudesse ser tão exigente.De qualquer forma, ficam os parabéns ao João. Tem uma paciência em tudo na vida. Só nao entendo aquela do meu sushi de meia alga não servir.estava realmente bom! E a noite como todas as que são especiais( especial, no sentido clínico da palavra),começa com o nosso vinho alentejano e conversas sobre nada e sobre tudo. à meia noite chegam finalmente os canudinhos de peixe, arroz e afins. Tudo muito bonito. O vinho tinto deu lugar ao chá verde. Mas eis que de repente, um trago amargo no copo( talvez o resto do nossa água dionísica) leva a conversa para o mundo dos Media,esse mundo que todos condenam e usam o cliché " de que tudo o que dizem é manipulado". >De repente penso em nós...Dois arquitectos,um engenheiro, duas ainda no secundário e duas, que na hora, valeram por um batalhão inteiro de Peter arnett's no vietname, atirando-nos com unhas e de...

Como se fosse possível haver manhãs sem ti.

Foto: FC “I don’t need no money, all is need is my baby” Canta o Otis Redding para me acordar Espreguiço-me como um gato e respondo-lhe: and I don’t need no mornings, all I need is my baby A manhã de tão perfeita, Traz-me a luz branca quase húmida Numa vela em que a ponta Dos teus cabelos ou cigarros arde Sobre mim. E esta manhã chegou tão triste E bela, como se fosse possível Haver gatos na varanda ao sol Como se fosse possível Haver pessoas no metro a falar da “manhã que está tão bonita” Como se fosse possível As flores lançarem as corolas sobre as abelhas Como se fosse possível O cheiro do café e os beijos dos namorados. Como se fosse possível Os pássaros e a música das árvores como um rio Como se fosse possível Como se fosse possível haver manhãs sem ti…

Chat de mon âme

Foto: Direitos Reservados Soneto do gato morto Um gato vivo é qualquer coisa linda Nada existe com mais serenidade Mesmo parado ele caminha ainda As selvas sinuosas da saudade De ter sido feroz. À sua vinda Altas correntes de eletricidade Rompem do ar as lâminas em cinza Numa silenciosa tempestade. Por isso ele está sempre a rir de cada Um de nós, e a morrer perde o veludo Fica torpe, ao avesso, opaco, torto Acaba, é o antigato; porque nada Nada parece mais com o fim de tudo Que um gato morto. Vinicius de Moraes Florença, 11.1963 in Livro de Sonetos in Poesia completa e prosa: "Poesia varia" Agradecimentos ao sonetista, conterrâneo da poesia

O amor é uma roleta russa

Foto: Direitos Reservados Foi na noite que te encontrei. É Na germinação do outro dia, entre o êxtase de um e o cheiro fétido do que virá, que nos encontramos...Talvez nunca te volte a ver, talvez a nossa conversa seja esquecida, talvez tenhamos a mesma conversa com outra pessoa e já não sabemos se as palavras que estamos a dizer foram as tuas ou as minhas . É assim que a noite acontece. Não sei nada de ti.Não sabes nada de mim. Os dados estão lançados. De repente, chegamos ao amâgo , e falamos dos nossos amores,dores, medos, de repente aquela pessoa é portadora da minha palavra. O facto de falarmos numa mistura de francês e inglês também ajuda...Muitas vezes temos medo de ouvir na nossa língua o que nunca seríamos capazes de proferir.É como usar uma máscara. Essa é uma das justiicações para o fenómeno transnacional das relações. Mas continuando....Entre teorias, (porque nós jovens achamos que o Mundo ainda está por descobrir...Desilusão total quando afinal descobrimos que toda a gen...

O dia hoje é Poesia

Para este dia tão especial, escolhi o meu poeta preferido,autor do meu poema de eleição. Leiam-no a media voz. Não se assustem com a clareza das palavras: claras, límpidas,certeiras. Ao ouvir o poema ouço água dentro de mim, riachos, pequenas brechas num jardim tão escuro como é o da alma. Adeus Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no te...
Manifestations pour la paix en Irak LEMONDE.FR | 19.03.07 ©

"O Beijo" de Klimt

Um beijo diferente dos outros Início do século XX. Klimt, um amante da mulher, quis com este quadro, representar a sua emancipação, a sua satisfação enquanto ser igual em direitos e vontades. A mulher já não oferece a boca para beijar o homem, ou tem os lábios entreabertos a sugerir um beijo, como acontece noutros quadros do pintor. Está de olhos fechados, com um ar feliz e senhora de si.

A Primavera chegou.

Boas notícias da Polónia...A garrafa de Porto foi finalmente aberta, ao som de um "Fado das dúvidas", e um calor sem dúvida lusitano. Pensar como as nossas coisas e sentimentos podem estar num país tão distante e diferente. Pensar nisso é fantástico, sufoca-nos com a ubiquidade quase surreal.Pensar nisso é encher-me de felicidade e saber que agora mais do que nunca sou uma referência espaco-temporal desta cidade, país...Pensei que num ápice a garrafa desapareceria. Mas afinal, andou 10meses contigo a passear.. Hoje fazem no Porto 21º. O polén das flores cai de mansinho como flocos de neve. Ouço também agora Madredeus.Estás Tão longe e tão perto.De todas as dúvidas que tenho, serás talvez a maior. Prefiro a tua incerteza e alimentar-me da tua memoria, do que a certeza de não te ver nunca mais. De qualquer forma, haverá sempre um vinho e um país por visitar. A vida é bela. Fado Das Dúvidas Madredeus Composição: Pedro Ayres Magalhães (...) Não sei amor onde andarás Pergunto o t...

Saudade , um pássaro sem nome, país ou língua.

Fronteiras de mim Hoje,aqui em Veneza, Sou as pontes E as mil pombas que em mim voam. Corro, Em cada esquina um amor, Paixão invisível. A praça é a de S.Marcos. O tempo ,a Juventude. O relógio ,cor do céu, Parou para nós o tempo, Num dourado eterno. Deixei de ser o leão De asas aladas [1] . O meu peito é água, A respirar A Dor e a Saudade, De te ver chegar e partir Dessa Europa sem fronteiras. Hoje, sou as pontes de Veneza, Dentro de mim, Partidas. [1] O leão com asas é o símbolo de S.Marcos, Santo de veneza Agradecimentos à minha queridíssima Marta, que muito me ajudou na tradução e também ao meu professor de inglês, que no seu pragmatismo romântico me ensinou a não ter medo da chuva. Borders of me Today, here in Venice, I ‘m its bridges And the one thousand doves, Inside me Flying. I run, In each corner, A love, Unseen passion. The square is the Saint Marcus one. The Time, the youth. The clock , colour of the sky, Stopped the time for us. In an eternal gold. I’m no longer the winge...

Um presente chamado Neruda

Foto: Direitos Reservados Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas. Pablo Neruda

O dia Seguinte. Reflexões

O dia seguinte Reflexões Confeitaria do Bolhão,fim da tarde. Estou sentada nos sofás ao lado de um grupo de senhoras, tratando-se por “Donas” e oferecendo sorrisos de meninas- sorrisos que não vejo nas meninas de 16 e 17 anos que afugentam a rua de S.catarina com a sua indiferença líquida e efémera- , sorrisos que embalam os ramos de flores vermelhas que pintam as paredes verdes.Entra um cantor ambulante de traços ciganos. O som de uma flauta, uma balada italiana que faz dançar os átomos da sala e estremecer o meu cabelo que saiu do chapéu. Uma súbita alegria invade-me, como se um Orfeu tivesse entrado naquela sala para anunciar a Primavera.Estou sozinha, não há razão para o súbito alegrato, pode ser da presença das senhoras felizes ou a lembrança de uma Itália feliz. Não sei. Mas afinal é possível. Hoje é o meu primeiro dia depois de tudo. Acabam de entrar duas raparigas. Uma delas, uma antiga colega de trabalho. Discorre na perfeição sobre Kant e sabe um pouco de tudo. Daria uma exce...
Milão, Agosto 2006 Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco Mário Cesariny

As cartas que nunca te escrevi

A Cyrano de Bergerac Junho 2005 O S.João é o grito de uma pessoa possessa, louca de amor ou talvez apenas de dor. Uma noite mágica. Linda. Pela neblina da ribeira e o negro veludo do céu , viajamos até a um templo dentro de nós. E lá, nesse sítio escuro, de paredes românicas, tudo se desfaz em lágrimas humanas. E em catarse, toda a nossa dor, os pequenos fantasmas que escondemos dentro de nós, começam a suspirar no ar que respiramos, nos beijos que roubamos nas ruas estreitas, nos copos que escorregam turvos na boca que não sabe. E assim, nesse compasso triste, vamos abrindo o corpo à noite e a alma à brisa rude do rio Douro. Pouco a pouco, o templo volta a erguer-se, a D.Luís sorri em arcos de luz e as gaivotas,no céu escuro, acenam-nos em piruetas de sonho. Devagar, a noite vai caindo nos nossos ombros e a manhã surge na nossa boca. Junho 2006 Um ano passou... Agora, olhando sozinha o rio, vejo sombras de asas no lugar dos teus braços, vejo o teu sorriso rasgar-se no vento, e vejo no...

Quando perdi a carteira e acabei a cantar Space Cowboy

Sábado, chuvoso, triste, pensamentos, sentimentos contraditórios, vontades, frio, calor....bah!...Pano de fundo de um belo dia de azar. Saio para me inscrever no ginásio.Optimo. Ver gente fútil, estar numa piscina de água quente, flutuar na ilusão de estar em Veneza completamente longe de tudo, é melhor ke tudo num dia frio e cinzento. Eis que a tragédia, prefiro dizer tragicomédia, e em frances porque tem mais pinta, tragicomédie, começa....Estou já no metro, a correr a chuva, sim eu sei, "new rains, new loves", mas nesse instante os meus instintos eram mais alimentares ke outra koisa e aquele cheiro irresistível do pão quente do Marquês...hm....ok...Depois, 3ºacto, consumou-se a tragédia: a minha carteira desaparece, com tudo e exactamente tudo, bi, passe, cartao recentemente tirado do ginasio, 2oeuros, cartao de credtito, 2fotografias antigas, o nº do nib, enfim...a minha vida resumiu-se a uma carteira...cor-de rosa!ah, un petit detaille, em francês fika mais subliminar(su...

Quando choves

Póvoa,Agosto2005 Quando choves O teu riso de ouro Continua a troar cá dentro, Cócegas enormes na alma. Os teus olhos, dois Mundos em órbita, Parecem estar ainda nos meus dedos. Vejo-te também de joelhos, A pedir-me em casamento. Sempre esse pedido, Quando o medo de partir, Aparecia negro, com uma nuvem. Está a chover, Grossas pingas entram pela roupa Arrepiam-me nesta viagem. Um tango de mim sem ti E de ti sem mim. Quando foi o fim? Foi Quando me disseste “uma rosa picou-me o dedo”? Sangrei tanto nessa altura.... Há uns dias li um poeta espanhol , Que dizia "há anos do passado Que são como uma frase riscada" [1] . Não há desculpas para o amor. Se fugi, se não tive coragem, Se fiz de ti um segredo (ainda que o mais bonito do mundo) Foi porque te amei, E cega andei errante, Sem saber que também me amavas. Não sei tirar o risco sobre a frase. Será mais fácil desenhar palavras novas. O Presente doi com a tua lembrança, Como a chuva sobre os lábios, Lembra-me os teus beijos... [1...

No teu peito o Mar

Foto: FC Cabo Verde, Santa Maria, Sal No teu peito o Mar Branco e sereno, O teu peito. Nuvens húmidas, Em que afundo o medo E me tiro ao sonho De ir além mar. Na tua calma, Encontro a sensata Insensatez De seres doce E não saberes. Na minha insensatez, Descubro a vontade De ser Primavera, Despir-me do frio E dar-te todas As borboletas Que tenho dentro De mim. Na maré mais alta, A tua boca sobe E é flor, Espuma que bebo Com toda a sede De te querer. No teu peito o mar. A água Em que hoje me deito.

Sartre e eu

Trabalho para Design- A existência

A Luz do Porto

A Luz do Porto Conhecida pelo seu brilho de pérola , a luz de Lisboa é já um símbolo incontestável da dona e senhora do país. Não esconde o seu desejo divino de transcendência. Afinal, carrega em si o fatum de ser filha da capital. Prova disso é o Tejo no seu largo espelho reflector.Aos alfacinhas cabe o papel de guardiões: narcísicos na contemplação do rio, esquecem-se de olhar mais além. O Porto também tem a sua luz. Os guardiões da luz de Lisboa, apoiados na sua bengala, decidiram catalogar a Invicta com os termos “chuvosa” e “escura”. Palavras que se escondem no guarda-chuva invejoso da capital. Palavras que são como bátegas, daquelas que vêm de rompante e desaparecem com o sol que pinta de bronze as margens do Douro. E é essa a luz que experimento quando me perco neste pensamento, quando percorro a Mouzinho da Silveira até à ribeira , quando atravesso os jardins do Palácio e me sento num banco vermelho e vejo, pela fresta dos velhos chorões, a luz mesclada de pequenos fios de ouro...
Foto: FC Publicidade- Metro, Londres
O nome da rosa Tenho o Realismo como maior ideal. Ideal, isso mesmo. Um ideal é a expressão de uma vontade impossível. Mesmo quando tiramos uma fotografia amadoristicamente, sem querer escolhemos um ângulo, um dado enquadramento. Isso é o chamado trompe d'oeil, usado pelos pintores no renascimento para dar a noção de uma tridimensionalidade. Gosto desta fotografia porque embora não real-não existe o preto e branco!- consegue transmitir a ideia de uma emoção do passado
Póvoa do Varzim- Junho 2005 Último adeus