Foto: Direitos Reservados
Praça de Cervantes, Santiago de Compostela
Há cerca de umas três semanas fui conhecer Santiago.Uma cidade muito bonita, bastante ao estilo de Guimarães e Braga. A catedral insurge-se imponente, no seu estilo barroco, marca de uma História de muitas histórias de pessoas, épocas, pestes, amores, divisões,paixões´, inquisição, morte, vida... Mas o melhor em Santiago são as ruas: dá vontade de nos perdermos e encontrarmos por acaso um jardinzinho, numa espécie de claustro público, com flores vermelhas e tocadores.Dá vontade de contornar com os dedos os arcos de pedra do túnel por onde passo. Foi nesse acaso que encontrei a praça de Cervantes, assim quase como me perdendo. Fiquei feliz. Foi um belo encontro. De facto, é o acaso que mais me encanta em lugares novos. Foi ao acaso que me apaixonei perdidamente por Itália a cada esquina que cruzava, a cada janela que se abria nos típicos prédios antigos de portadas coloridas e flores a cair pela janela, apaixonei-me pelo voo de uma pomba na bela praça de s.Marcus, apaixonei-me pelo caricato, pela luz que em cada cidade é diferente.

Milão
A maravilhosa obra de Miguel Cervantes, mais do que um clássico d literatura mundial, é qualquer coisa de delicioso...Pensar como alguém já no século XVII foi capaz de protagonizar tao bem uma novela realista, de um humor mais que dantesco, condimentado pelos costumes daquela região da Mancha,oscilando entre a visão de um Sancho Pança ignorante, arquétipico de um camponês analfabeto, gordinho e crente nas promessas do seu amo e uma visão idealista, sonhadora de um D.Quixote letrado, que de tanto ler romances de cavalaria acaba por enlouquecer e achar-se também ele um cavaleiro andante destinado a proteger as donzelas e princesas, a matar dragões e outras figuras mágicas criadas por D.Quixote. Uma delícia.
Cavaleiro andante
Solta-se o ego
Do louco D.Quixote
No peito traz a sorte
E a espada de um amor cego
Vai andando,
O cavaleiro andante,
Pelas estradas errantes.
Não sabe dela,
Da bela Dulcineia
Mas sabe,
Que se parar
Param os moinhos
E o coração de andar
Andar, amar
Amar e sonhar
Sonhar
Com ela,
Com a vida
Que teria
Se não fosse Poesia
Mas Cavaleiro Andante não chora
Seu cavalo Rocinante
Chora por ele,
Num doce quebranto
Enquanto ele,
Ri-se na imensa loucura
De ainda ser capaz de
Amar
E de conquistar.
Filipa Cardoso
Praça de Cervantes, Santiago de Compostela
Há cerca de umas três semanas fui conhecer Santiago.Uma cidade muito bonita, bastante ao estilo de Guimarães e Braga. A catedral insurge-se imponente, no seu estilo barroco, marca de uma História de muitas histórias de pessoas, épocas, pestes, amores, divisões,paixões´, inquisição, morte, vida... Mas o melhor em Santiago são as ruas: dá vontade de nos perdermos e encontrarmos por acaso um jardinzinho, numa espécie de claustro público, com flores vermelhas e tocadores.Dá vontade de contornar com os dedos os arcos de pedra do túnel por onde passo. Foi nesse acaso que encontrei a praça de Cervantes, assim quase como me perdendo. Fiquei feliz. Foi um belo encontro. De facto, é o acaso que mais me encanta em lugares novos. Foi ao acaso que me apaixonei perdidamente por Itália a cada esquina que cruzava, a cada janela que se abria nos típicos prédios antigos de portadas coloridas e flores a cair pela janela, apaixonei-me pelo voo de uma pomba na bela praça de s.Marcus, apaixonei-me pelo caricato, pela luz que em cada cidade é diferente.
Milão
A maravilhosa obra de Miguel Cervantes, mais do que um clássico d literatura mundial, é qualquer coisa de delicioso...Pensar como alguém já no século XVII foi capaz de protagonizar tao bem uma novela realista, de um humor mais que dantesco, condimentado pelos costumes daquela região da Mancha,oscilando entre a visão de um Sancho Pança ignorante, arquétipico de um camponês analfabeto, gordinho e crente nas promessas do seu amo e uma visão idealista, sonhadora de um D.Quixote letrado, que de tanto ler romances de cavalaria acaba por enlouquecer e achar-se também ele um cavaleiro andante destinado a proteger as donzelas e princesas, a matar dragões e outras figuras mágicas criadas por D.Quixote. Uma delícia.
Cavaleiro andante
Solta-se o ego
Do louco D.Quixote
No peito traz a sorte
E a espada de um amor cego
Vai andando,
O cavaleiro andante,
Pelas estradas errantes.
Não sabe dela,
Da bela Dulcineia
Mas sabe,
Que se parar
Param os moinhos
E o coração de andar
Andar, amar
Amar e sonhar
Sonhar
Com ela,
Com a vida
Que teria
Se não fosse Poesia
Mas Cavaleiro Andante não chora
Seu cavalo Rocinante
Chora por ele,
Num doce quebranto
Enquanto ele,
Ri-se na imensa loucura
De ainda ser capaz de
Amar
E de conquistar.
Filipa Cardoso
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