Avançar para o conteúdo principal

San Jordi, dia da Rosa e dia dos namorados na Catalunha

Foto: Direitos ReservadosFoto: Direitos Reservados




Pensava que o dia dos namorados era aquele dia 14 de Fevereiro, um dia em que se dão rosas que não cheiram e corações de vidro que se partem logo. Porém, tive a sorte de conhecer o Xavier,magnífico exemplar da beleza típica e graciosa dos morenos do sul.Poeta e sonhador também, como bom filho de Cervantes. Vindo de Tarragona, Catalunha, Xavier deu-me a conhecer o dia dos namorados na região por altura do Verão.Era Julho e as ruas do Porto gozavam daquela calma apaixonada. A luz amarela, as palavras e as ruas, tudo parecia confluir num perfeita simbiose a cantar como um rio canta entre as pedras e as curvas do caminho. Hoje, dia 23, evoco essa alegria calada e a rosa vermelha que me trouxeste em representação de San Jordi para contar sucintamente essa lenda: certo dia, a donzela mais bonita do reino é raptada por um dragão.São Jorge( san Jordi),valoroso cavaleiro, vai resgatar a bela senhorita. Este consegue vencer o dragão e no lugar onde foi derramado o sangue da fera, nasce um roseiral.Daí que esse seja também o dia da rosa.

O dia é comemorado a 23 de Abril, data em que se celebra o livro, em homenagem a grandes escritores e poetas como Cervantes e Shakespeare que morreram igualmente a 23 . Xavier escreveu-me nesse dia. Disse-me que os rapazes dão rosas e livros às raparigas e passeiam entre o sol e os cafés.Deu-me vontade de estar lá também.

Comentários

Beatriz disse…
:) é um convite maravilhoso. um cenário aliciante... Um dia, hei-de viver esse dia 23/4 na Catalunha :) Prometido!

beijinhos ;)

Mensagens populares deste blogue

Rosário 280.

Querida Casa, Vou-me embora. É hora de te deixar. 2016-2025. Quando olho para ti, a despir-te das coisas, dos livros, dos quadros, da roupa, das loiças , dos panos de cozinha, da chaleira vermelha, as gavetas ficam abertas como bocas, e misturam no ar tantas coisas,  tantos ecos de risos, tantos solavancos de tristeza, tantos sentimentos e coisas que só tinham nome aqui. E ela chega como a chuva escura do Porto: a minha amiga Nostalgia : A palavra vem do grego  nostos  ("reencontro") e  algos  ("dor, sofrimento"). A dor do reencontro. E é muito isso. Aquela sensação do reencontro de uma peça de roupa perdida, que de repente aparece no armário, vinda de 2017 não sabemos bem em que guerras andou e quando aparece traz-nos uma alegria súbita, logo seguida de uma tristeza pesada, de saber que nao regressamos mais ao tempo daquelas calças levis . E isso é a nostalgia. Como uma máquina do tempo que não sai do mesmo sítio mas para onde podemos olhar, um holograma fodid...

“Quando chove, queríamos poder chorar.”

Primo Levi Com esta frase Primo Levi começa um dos capítulo da sua obra “Se isto é um homem”: Não há nenhum recurso estilístico que o poderia exprimir de outra forma. È assim e ponto final. O escritor italiano continua, descrevendo as chuvas e o cheiro a bolor no mês de Novembro em Auschwitz, no ano de 1944. Um relato duro, incisivo e ao mesmo tempo, tão real, tão humano, tão desumano, que não deixa lugar para floreados. O melhor memorial da Segunda Guerra Mundial, provavelmente o melhor do século XX. Levi fala da sua experiência no campo de concentração, e ao invés de se centrar na relação vítima- dominador, descreve a relação de hierarquia que se estabelece entre os próprios condenados. Afinal, morrer amanhã ou levar pancada de um alemão das SS deixa de ser siginficante quando comparado com o peso da fome, o frio e a necessidade de conseguir mais um naco de pão. Uma visão do Holocausto que de tão real ,choca, fere os olhos, provoca náusea. O único momento em que Levi fala em ...

Chuva e poesia

Por que é que quando chove nos apetece escrever poesia,mesmo que sejam os mais tristes versos?(ou as mais irónicas versões de versos ) Talvez porque hoje esteja a chover sem parar e o Porto pareça um monstro muito zangado com a barba por fazer. Talvez porque o vento seja um tubo de ensaio onde o frio e dor se entrelaçam como uma velha e um gato enroscados no sofá. Ou Talvez porque o que se passa lá fora esteja a acontecer dentro de nós em simultâneo, como essas modernas video-conferências. Ou então, Temos medo que pare de chover e de ver o sol aparecer no meio das nuvens cinzentas. Depois da chuva, os restos da tempestade ficam a dizer-nos adeus do topo dos pauzinhos de relva. Como milhares de estrelas a brilhar no universo da nossa tristeza.