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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2010

Sagres, Algarve, Novembro 2009

Há lugares que definitivamente nos roubam o ar, nos fazem pensar que podíamos ser felizes ali, e acordar todos os dias com aquela paisagem na nossa janela como um postal gigante , aquela visão que um dia os nossos dedos desenharam na areia, ao lado de castelos e piratas. Fui a Sagres em trabalho, com uma máquina fotográfica pesada e desconfortável ao ombro, daquelas que nos rotulam, como as mulheres com experiência às mais novas: " tens obrigação de tirar uma boa fotografia". No entanto, a cada passo que dava, a cada falésia que avistava, tinha medo de continuar a caminhar, com o risco de cair e talvez voar no sonho que construí na praia. Sim, é essa a sensação. Contornar o recorte das escarpas, sentir na boca, a maresia sensual do atlântico, fechar os olhos e no emaranhado de cabelos, vislumbrar pela primeira vez, um lugar onde é possível o silêncio, onde é possível a beleza sem legendas.

Chuva e poesia

Por que é que quando chove nos apetece escrever poesia,mesmo que sejam os mais tristes versos?(ou as mais irónicas versões de versos ) Talvez porque hoje esteja a chover sem parar e o Porto pareça um monstro muito zangado com a barba por fazer. Talvez porque o vento seja um tubo de ensaio onde o frio e dor se entrelaçam como uma velha e um gato enroscados no sofá. Ou Talvez porque o que se passa lá fora esteja a acontecer dentro de nós em simultâneo, como essas modernas video-conferências. Ou então, Temos medo que pare de chover e de ver o sol aparecer no meio das nuvens cinzentas. Depois da chuva, os restos da tempestade ficam a dizer-nos adeus do topo dos pauzinhos de relva. Como milhares de estrelas a brilhar no universo da nossa tristeza.