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Chat de mon âme

Foto: Direitos Reservados
Soneto do gato morto

Um gato vivo é qualquer coisa linda
Nada existe com mais serenidade
Mesmo parado ele caminha ainda
As selvas sinuosas da saudade

De ter sido feroz. À sua vinda
Altas correntes de eletricidade
Rompem do ar as lâminas em cinza
Numa silenciosa tempestade.

Por isso ele está sempre a rir de cada
Um de nós, e a morrer perde o veludo
Fica torpe, ao avesso, opaco, torto

Acaba, é o antigato; porque nada
Nada parece mais com o fim de tudo
Que um gato morto.


Vinicius de Moraes

Florença, 11.1963

in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

Agradecimentos ao sonetista, conterrâneo da poesia

Comentários

Anónimo disse…
Tenho uma gata quase igual... :)

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