Foto: Direitos Reservados
Foi na noite que te encontrei. É Na germinação do outro dia, entre o êxtase de um e o cheiro fétido do que virá, que nos encontramos...Talvez nunca te volte a ver, talvez a nossa conversa seja esquecida, talvez tenhamos a mesma conversa com outra pessoa e já não sabemos se as palavras que estamos a dizer foram as tuas ou as minhas . É assim que a noite acontece. Não sei nada de ti.Não sabes nada de mim. Os dados estão lançados. De repente, chegamos ao amâgo , e falamos dos nossos amores,dores, medos, de repente aquela pessoa é portadora da minha palavra. O facto de falarmos numa mistura de francês e inglês também ajuda...Muitas vezes temos medo de ouvir na nossa língua o que nunca seríamos capazes de proferir.É como usar uma máscara. Essa é uma das justiicações para o fenómeno transnacional das relações. Mas continuando....Entre teorias, (porque nós jovens achamos que o Mundo ainda está por descobrir...Desilusão total quando afinal descobrimos que toda a gente já sabia isso, menos tu), entre palavras atiradas ao ar, entre um cigarro, uma voz mais exaltada, chegamos lá...Eureka! afinal é isso...O amor é uma roleta russa. Uns têm sorte outros não. A roda sempre a girar, a girar...Vem-me a cabeça o "Jogador" de Dostoievsky, mas isso, só na manhã seguinte...Engraçado como "analogamos" as coisas muito tempo depois.Li o livro há mais de um ano..Parece que fizemos uma descoberta. A pessoa vai falando do quanto está dividida...No fim, entre um gole de uisquy e um pousar de copo fatal, diz " I don't have nothing". è entao que eu digo: "and me?"...E à nossa volta há gente feliz, casais a planear viagens...Somos jogadores e vemos tudo de fora. Somos jovens e sabemos que é tudo flutuante, queremos o mais depressa possível saber o que está depois do rio. Mas a vida é um rio, não somos unos, somos os que já nos tiveram e os que ainda vamos ter.O amor é esse jogo.às vezes o vermelho, outras vezes o preto. "Life is a Cabaret", canta o Amstrong. O Siddharta também sabia que o amor era isso. Ele sabia-se incapaz de amar uma só pessoa. Pode talvez ser uma forma de egoísmo, essa procura constante de ganhar mais da vida e das pessoas, sem pensar que elas vão ficar para trás e que estamos a roubar um bocadinho delas. Aposto aqui e ali, passa um belo italiano, um rapaz de livro na mão e olhos meigos, um jornalista de olhar aventureiro...Passam...Passam e vão...Como os "comboios param e partem"(Virginia Woolf), como tudo continua a ser jogado.
Se sabemos que o amor é isso, porque ainda assim sofremos?
Sobre a ausência, a onda da manhã, os passos macios na areia, a linha contínua do horizonte, a linha que com pedrinhas frágeis tentamos inutilmente atingir. A onda sobe e desce.
a onda sobe e desce. A onda sobe e desce....

Foi na noite que te encontrei. É Na germinação do outro dia, entre o êxtase de um e o cheiro fétido do que virá, que nos encontramos...Talvez nunca te volte a ver, talvez a nossa conversa seja esquecida, talvez tenhamos a mesma conversa com outra pessoa e já não sabemos se as palavras que estamos a dizer foram as tuas ou as minhas . É assim que a noite acontece. Não sei nada de ti.Não sabes nada de mim. Os dados estão lançados. De repente, chegamos ao amâgo , e falamos dos nossos amores,dores, medos, de repente aquela pessoa é portadora da minha palavra. O facto de falarmos numa mistura de francês e inglês também ajuda...Muitas vezes temos medo de ouvir na nossa língua o que nunca seríamos capazes de proferir.É como usar uma máscara. Essa é uma das justiicações para o fenómeno transnacional das relações. Mas continuando....Entre teorias, (porque nós jovens achamos que o Mundo ainda está por descobrir...Desilusão total quando afinal descobrimos que toda a gente já sabia isso, menos tu), entre palavras atiradas ao ar, entre um cigarro, uma voz mais exaltada, chegamos lá...Eureka! afinal é isso...O amor é uma roleta russa. Uns têm sorte outros não. A roda sempre a girar, a girar...Vem-me a cabeça o "Jogador" de Dostoievsky, mas isso, só na manhã seguinte...Engraçado como "analogamos" as coisas muito tempo depois.Li o livro há mais de um ano..Parece que fizemos uma descoberta. A pessoa vai falando do quanto está dividida...No fim, entre um gole de uisquy e um pousar de copo fatal, diz " I don't have nothing". è entao que eu digo: "and me?"...E à nossa volta há gente feliz, casais a planear viagens...Somos jogadores e vemos tudo de fora. Somos jovens e sabemos que é tudo flutuante, queremos o mais depressa possível saber o que está depois do rio. Mas a vida é um rio, não somos unos, somos os que já nos tiveram e os que ainda vamos ter.O amor é esse jogo.às vezes o vermelho, outras vezes o preto. "Life is a Cabaret", canta o Amstrong. O Siddharta também sabia que o amor era isso. Ele sabia-se incapaz de amar uma só pessoa. Pode talvez ser uma forma de egoísmo, essa procura constante de ganhar mais da vida e das pessoas, sem pensar que elas vão ficar para trás e que estamos a roubar um bocadinho delas. Aposto aqui e ali, passa um belo italiano, um rapaz de livro na mão e olhos meigos, um jornalista de olhar aventureiro...Passam...Passam e vão...Como os "comboios param e partem"(Virginia Woolf), como tudo continua a ser jogado.
Se sabemos que o amor é isso, porque ainda assim sofremos?
Sobre a ausência, a onda da manhã, os passos macios na areia, a linha contínua do horizonte, a linha que com pedrinhas frágeis tentamos inutilmente atingir. A onda sobe e desce.
a onda sobe e desce. A onda sobe e desce....
Comentários
"Ter a um sonho de amor o coração sujeito
É como ter uma faca cravada no peito.
Essa vida é um punhal com dois gumes fatais
Não amar é sofrer, amar é sofrer mais!"
(...)
In
Juca Mulato
Menotti del Picchia
:)
Nem imaginas como eu gostei do texto! Parabéns!
Beijinhos*