Avançar para o conteúdo principal

Saudade , um pássaro sem nome, país ou língua.


Fronteiras de mim

Hoje,aqui em Veneza,
Sou as pontes
E as mil pombas
que em mim voam.
Corro,
Em cada esquina
um amor,
Paixão invisível.


A praça é a de S.Marcos.
O tempo ,a Juventude.
O relógio ,cor do céu,
Parou para nós o tempo,
Num dourado eterno.
Deixei de ser o leão
De asas aladas[1].
O meu peito é água,
A respirar
A Dor e a Saudade,
De te ver chegar e partir
Dessa Europa sem fronteiras.

Hoje,
sou as pontes de Veneza,
Dentro de mim,
Partidas.

[1] O leão com asas é o símbolo de S.Marcos, Santo de veneza
Agradecimentos à minha queridíssima Marta, que muito me ajudou na tradução e também ao meu professor de inglês, que no seu pragmatismo romântico me ensinou a não ter medo da chuva.


Borders of me


Today, here in Venice,
I ‘m its bridges
And the one thousand doves,
Inside me
Flying.
I run,
In each corner,
A love,
Unseen passion.

The square is the Saint Marcus one.
The Time, the youth.
The clock , colour of the sky,
Stopped the time for us.
In an eternal gold.
I’m no longer the winged lion[1],
My chest is water,
Breathing the pain and ‘Saudade’[2]
Of seeing you come and go,
From this Europe without borders

Today,
I’m the Venice bridges.
Inside me,
Broken.

[1] The wigged lion is the symbol of Saint Marcus, the saint of Venice.
[2] Saudade is a portuguese name which could be translate by “miss someone, something , somewhere”

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O tempo de esquecer

Perguntei ao Google quanto tempo era preciso para esquecer. Disse-me que o tempo estava ameno no Porto, 28 graus de máxima, 20 de mínima, vento moderado, 18 graus temperatura do mar. Talvez o tempo de esquecer, seja a sequência de dias que vão passando, os meses que passam ora velozes ora mais devagar, os dias invernosos, a primavera a despontar nos risos das pessoas que deixam de ser tão amargas com a chegada dos dias ao ar livre , e finalmente o verão , a entrar com um sol ardente, a escancarar os as portas com uma luz de cal  e a trazer promessas de dias sem fim . Dias que pelo menos contigo não voltam a acontecer. Talvez o tempo de esquecer sejam as viagens que tenho feito, a sequência de dias de partir, de voar, de entrar no rebuliço de uma estação de comboios, de conhecer novas pessoas, de me esquecer de onde venho e esquecer para onde iria contigo. Talvez o tempo de esquecer seja a playlist dos spotify a passar enquanto corro e me apercebo que há músicas que vão perdendo gra...

Rosário 280.

Querida Casa, Vou-me embora. É hora de te deixar. 2016-2025. Quando olho para ti, a despir-te das coisas, dos livros, dos quadros, da roupa, das loiças , dos panos de cozinha, da chaleira vermelha, as gavetas ficam abertas como bocas, e misturam no ar tantas coisas,  tantos ecos de risos, tantos solavancos de tristeza, tantos sentimentos e coisas que só tinham nome aqui. E ela chega como a chuva escura do Porto: a minha amiga Nostalgia : A palavra vem do grego  nostos  ("reencontro") e  algos  ("dor, sofrimento"). A dor do reencontro. E é muito isso. Aquela sensação do reencontro de uma peça de roupa perdida, que de repente aparece no armário, vinda de 2017 não sabemos bem em que guerras andou e quando aparece traz-nos uma alegria súbita, logo seguida de uma tristeza pesada, de saber que nao regressamos mais ao tempo daquelas calças levis . E isso é a nostalgia. Como uma máquina do tempo que não sai do mesmo sítio mas para onde podemos olhar, um holograma fodid...

Pérsola. O início de tudo

Hoje vou falar-vos da Pérsola. Para quem lê o meu blog-baú de poemas e crónicas, sabe que o amor ( e o seu reverso), são temas recorrentes. Afinal, não é este uma força, que nos motiva/desmotiva, quanto mais não seja o amor próprio?  Bem, na verdade este é um texto em que o desamor gerou amor e está personificado numa bela mulher chamada Pérsola. Vamos, tenho agora que dar um pormenor interessante, para que o leitor de olho digital de preguicite aguda, não desista de ler, habituado como está às curtas e empoadas frases das redes sociais. Aqui vai esse detalhe importante, que revela toda a essência do desamor: a Pérsola tinha como apelido “ Exposta”, como aliás, muitas outras crianças que nasceram naquela altura, na Roda dos Expostos. “Exposta” ou “exposto” era o nome que se dava às crianças fruto de relações “proibidas”- ou que a sociedade não aprovava, por exemplo, entre um criado e uma menina burguesa de um colégio de freiras. Porquê? Aqui chega aquele momento em que o narrado...