
As folhas amarelas que piso
São as palavras que não digo.
O vento ,
Uma Penélope triste com seu lenço
Pedaços de nada
Para tecer a tristeza
Camuflar a incerteza
Calar
uma lágrima calada
Tudo,
Para que não vejas
Os fios de água ,
Outrora riso, pequeno rio,
Grito de alegria.
Canto de crianças ébrias,
Entre ervas que picavam as pernas
E calejam os músculos de tanto procurar
O sentido desse sórdido, carnal amar
Tempo de um Nós-não-quebrável,
Agora nó desdobrável:
Na saliva
o mar,
Nos olhos,
a espuma,
No peito
As Plumas ,
Das asas
Deixadas
Sobre a cama.
E tu não vês,
As palavras que eu não digo,
O brilho quebradiço da Lua
Sobre a porta ao fundo da rua.
As palavras que não digo…
A verdade tão crua
Como a lua estar nua
E esta noite ser a última.
Para o David
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