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Quando choves

Póvoa,Agosto2005

Quando choves


O teu riso de ouro
Continua a troar cá dentro,
Cócegas enormes na alma.
Os teus olhos, dois Mundos em órbita,
Parecem estar ainda nos meus dedos.
Vejo-te também de joelhos,
A pedir-me em casamento.
Sempre esse pedido,
Quando o medo de partir,
Aparecia negro, com uma nuvem.
Está a chover,
Grossas pingas entram pela roupa
Arrepiam-me nesta viagem.

Um tango de mim sem ti
E de ti sem mim.
Quando foi o fim?
Foi Quando me disseste “uma rosa picou-me o dedo”?
Sangrei tanto nessa altura....
Há uns dias li um poeta espanhol ,
Que dizia "há anos do passado Que são como uma frase riscada"[1].
Não há desculpas para o amor.
Se fugi, se não tive coragem,
Se fiz de ti um segredo
(ainda que o mais bonito do mundo)
Foi porque te amei,
E cega andei errante,
Sem saber que também me amavas.

Não sei tirar o risco sobre a frase.
Será mais fácil desenhar palavras novas.
O Presente doi com a tua lembrança,
Como a chuva sobre os lábios,
Lembra-me os teus beijos...


[1] “Abelardo Linares in Trípiticos Espanhóis, “A Sombra”

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