Avançar para o conteúdo principal

Quando o Amor é feito de Asas

Foto: Direitos Reservados

Quando o Amor é feito de asas,
Horas de espera nos aeroportos,
Carris e vapor de estações,
Vozes entrecortadas ao telefone,
Mãos doídas de saudade,
Olhos cegos de incerteza,
Fronteiras vagas,
Um Tempo de ausência
No Mundo.
Um Tempo em que tu és fantasma
Dos meus passos, vontades, sonhos,
Desejos, pensamentos,
Um pássaro no meu ouvido,
Um segundo de beijos,
Um Infinito de abraços,
Uma miragem ao fundo da cama
E da fotografia nela esquecida.

Um Tempo de Tudo
e Nada.
Um tempo em que não se vive,
Ou talvez se viva tudo, se morra, ressuscite
E o mais difícil seja continuar vivo.

Comentários

Beatriz disse…
:)

o tempo do amor e o tempo de espera do amor e o tempo do fim do amor. "um tempo de ausência", ou pelo menos de aparente ausência, pois ele está em todo lado menos ao pé de nós. porém, haverão dias em que o mais dificil não será continuar vivo, mas querer continuar vivo.

Querida prima,
que a vida te some ternas e encantadas histórias de amor, mas que te poupe o mais que puder às mãos doidas de saudade e aos olhos cegos de incerteza

um grande grande abraço de saudade :)
Sonetista disse…
vir aqui ao trompe l'oeil é como ir à casa de um amigo, não importa o humor com que se entra, sempre se sai melhor...
eu sou doido contigo, sabias? é capaz que eu guarde por ti uma espécie de amor desinteressado por toda vida. É capaz que ele viva assim à sombra protetora da falta de convívio, a flutar como a pluma do teu sorriso.
Belo e bravo poema, querida.

Mensagens populares deste blogue

Rosário 280.

Querida Casa, Vou-me embora. É hora de te deixar. 2016-2025. Quando olho para ti, a despir-te das coisas, dos livros, dos quadros, da roupa, das loiças , dos panos de cozinha, da chaleira vermelha, as gavetas ficam abertas como bocas, e misturam no ar tantas coisas,  tantos ecos de risos, tantos solavancos de tristeza, tantos sentimentos e coisas que só tinham nome aqui. E ela chega como a chuva escura do Porto: a minha amiga Nostalgia : A palavra vem do grego  nostos  ("reencontro") e  algos  ("dor, sofrimento"). A dor do reencontro. E é muito isso. Aquela sensação do reencontro de uma peça de roupa perdida, que de repente aparece no armário, vinda de 2017 não sabemos bem em que guerras andou e quando aparece traz-nos uma alegria súbita, logo seguida de uma tristeza pesada, de saber que nao regressamos mais ao tempo daquelas calças levis . E isso é a nostalgia. Como uma máquina do tempo que não sai do mesmo sítio mas para onde podemos olhar, um holograma fodid...

“Quando chove, queríamos poder chorar.”

Primo Levi Com esta frase Primo Levi começa um dos capítulo da sua obra “Se isto é um homem”: Não há nenhum recurso estilístico que o poderia exprimir de outra forma. È assim e ponto final. O escritor italiano continua, descrevendo as chuvas e o cheiro a bolor no mês de Novembro em Auschwitz, no ano de 1944. Um relato duro, incisivo e ao mesmo tempo, tão real, tão humano, tão desumano, que não deixa lugar para floreados. O melhor memorial da Segunda Guerra Mundial, provavelmente o melhor do século XX. Levi fala da sua experiência no campo de concentração, e ao invés de se centrar na relação vítima- dominador, descreve a relação de hierarquia que se estabelece entre os próprios condenados. Afinal, morrer amanhã ou levar pancada de um alemão das SS deixa de ser siginficante quando comparado com o peso da fome, o frio e a necessidade de conseguir mais um naco de pão. Uma visão do Holocausto que de tão real ,choca, fere os olhos, provoca náusea. O único momento em que Levi fala em ...

Chuva e poesia

Por que é que quando chove nos apetece escrever poesia,mesmo que sejam os mais tristes versos?(ou as mais irónicas versões de versos ) Talvez porque hoje esteja a chover sem parar e o Porto pareça um monstro muito zangado com a barba por fazer. Talvez porque o vento seja um tubo de ensaio onde o frio e dor se entrelaçam como uma velha e um gato enroscados no sofá. Ou Talvez porque o que se passa lá fora esteja a acontecer dentro de nós em simultâneo, como essas modernas video-conferências. Ou então, Temos medo que pare de chover e de ver o sol aparecer no meio das nuvens cinzentas. Depois da chuva, os restos da tempestade ficam a dizer-nos adeus do topo dos pauzinhos de relva. Como milhares de estrelas a brilhar no universo da nossa tristeza.