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Amigos desconhecidos

Viajar de avião leva-nos , por vezes, a cruzarmo-nos com pessoas imprevistas de histórias bizarras e a partilhar pedaços de vida entre diálogos de café e filas para o check-in.

Vou contar uma história verdadeiramente hilariante, que se desse um nome soaria a novela mexicana.

Na útlima viagem em que passei uma boa parte da madrugada de um dia incerto no aeroporto de Madrid (antes do nevão que encerrou as portas de Barajas)conheci o senhor José de 70 anos, "un español bueno de Castalla", tal como se apresentou. A partir daí,deu corda à voz e à memória para me contar a sua história até ali, aquela sala de espera de aeroporto.

Contou-me a história de um passado de fome durante a Guerra Civil, numa família pobre de camponeses daquela região, em que para sobreviver teve de ir para a cidade. E , pouco a pouco, foi fazendo fortuna com uma residencial que me soou duvidosa, e propriedades que adquirira em viagens à República Dominicana. Mas o mais tocante na sua história é, como todas as que nos fazem perder as noites de Inverno na cama, o seu tríptico de histórias de amor. Há coisa de 10 anos o Señor José divorciou-se e depois de muita solidão na sua duvidosa residencial, decidiu ir à procura de uma mulher bonita na República Dominicana. E assim começou a grande aventura. Sob a promessa de um testamento gordinho e um contrato de trabalho, o señor josé estabelecia os termos do seu amor e as namoradas pobres lá abandonavam as praias de sonho do seu país, a troco de um casamento e da fortuna prometida na Europa.

Começam então as peripécias de amores,que podiam ser trágicas se não fossem cómicas e vice-versa, dir-se-ia histórias tragico-cómicas :a primeira mulher, deixou-o passado pouco tempo de estar em espanha, depois de uma violenta cena em que a que a quase-esposa quase acaba com a vida do pobre señor José; esta foi a primeira; a segunda prometia ser "una buena mujer" , mas um dia ,depois de chegar a Espanha, adoeceu e morreu; a última (espero) vem a caminho e acompanhada pelo senõr José.No dia em que nos conhecemos, ele viajava para a Republica Domincana para se casar no dia seguinte. Estava verdadeiramente feliz, sorria a todos que o olhavam e fez questão de mostrar as fotografias da noiva actual e também das antigas. Para ele o que realmente o importa é continuar a sonhar como um D.Quixote pela sua Dulcineia.

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