Há lugares que definitivamente nos roubam o ar, nos fazem pensar que podíamos ser felizes ali, e acordar todos os dias com aquela paisagem na nossa janela como um postal gigante , aquela visão que um dia os nossos dedos desenharam na areia, ao lado de castelos e piratas.
Fui a Sagres em trabalho, com uma máquina fotográfica pesada e desconfortável ao ombro, daquelas que nos rotulam, como as mulheres com experiência às mais novas: " tens obrigação de tirar uma boa fotografia". No entanto, a cada passo que dava, a cada falésia que avistava, tinha medo de continuar a caminhar, com o risco de cair e talvez voar no sonho que construí na praia.
Sim, é essa a sensação. Contornar o recorte das escarpas, sentir na boca, a maresia sensual do atlântico, fechar os olhos e no emaranhado de cabelos, vislumbrar pela primeira vez, um lugar onde é possível o silêncio, onde é possível a beleza sem legendas.
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