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Ao Porto



Descobri na feira do Livro uma Colectânea de Poesia sobre o Porto ( "Ao Porto" - Adosinda Providência e Madalena Torgal Ferreira) - que era efectivamente o único que restava. Olhava-me na ingenuidade da sua capa azul celeste, desde o fundo de uma prateleira, entre outros livros da mesma editora ( Dom Quixote) um de poesia sobre Lisboa e outro sobre Coimbra.

Os poetas portugueses que integram a Colectânea são muitos e bons: desde Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner, Vasco Graça Moura, passando por outros menos conhecidos, mas de igual ou superior inspiração.

Hoje partilho este meu tesouro que para já descansa na mesinha de cabeceira, feliz também por me ter encontrado.

Cito agora um poema de Albano Martins, página 48. Palavras, versos que traduzem o sentimento de ser do Porto, que me levam pelos cheiros e emoções do S.João, pela ribeira, pelas ruas, pelas gentes, pelo rio, pelo granito, pelo vinho, pela cidade onde me encontro e encontro a alma de todos aqueles que a amam.

UMA CIDADE

Uma cidade pode ser
Apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
De espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, numa bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito.

UMA CIDADE

pode ser o nome
dum país,dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
se um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
numa noite de Junho

Uma cidade pode ser
um coração.
um punho.

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