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“Os Jardins da Memória”, livro escrito pelo prémio Nobel da Literatura de 2006, apresenta-se como um pequeno baú de histórias dentro de histórias, personagens-fantasma de uma Turquia a viver uma crise de identidade política e civilizacional, dividida entre o Ocidente e o grande legado cultural do Médio-Oriente.
Intercalando entre a narrativa e as crónicas de um jornalista turco bastante influente, Orhan Pamuk aborda temas como o dos antigos escritores, poetas e pensadores turcos e a influência que exerceram sobre as grandes obras da cultura europeia (caso da “Divina Comédia”, de Dante); no fundo, estende uma tapeçaria oriental ao mundo ocidental. Mas Pamuk debruça-se também sobre questões tão humanas e complexas como a da memória, a da busca de uma “identidade” e a importância do houroufismo na cultura turca, uma prática que constituía em ler letras e signos nos rostos. Este é aliás, o cerne do romance: poderemos ser nós próprios, querendo ser outro? De que forma a memória e as histórias contribuem para a nossa identidade? Questiona-se Pamuk na narração do problema da personagem principal: Galip, um jovem advogado que não conseguia ser ele próprio, queria ser como o primo, o influente jornalista Djêlal Salik. Por sua vez, o cronista do Mylliet tinha um outro grande problema relacionado com a perda memória. Devido a esses lapsos, o jornalista terá começado a narrar histórias à irmã, Ruya( mulher de Galip), para que esta registasse as suas memórias. No último capítulo, Pamuk insere uma crónica que em jeito de epílogo conta a história de um príncipe otomano que elegeu como objectivo de vida, tentar ser ele-próprio. Isso depois de ter passado seis anos fechado num pavilhão para se dedicar apenas à leitura: desde Voltaire às “Mil e Uma noites”, o príncipe vai deixar de ser ele próprio para ser um outro que tem as ideias dos filósofos alemães, que fala como o seu antigo professor de francês, que se apaixona pela mulher de perfume de violeta como o personagem do romance que lera.
Por entre os cheiros do café e do rio Bósforo que impregnam a as ruas da Antiga Constantinopla, Pamuk conseguiu de forma surpreendente reunir num romance os estilos da narrativa, da crónica e do policial. F.C.

“Os Jardins da Memória”, livro escrito pelo prémio Nobel da Literatura de 2006, apresenta-se como um pequeno baú de histórias dentro de histórias, personagens-fantasma de uma Turquia a viver uma crise de identidade política e civilizacional, dividida entre o Ocidente e o grande legado cultural do Médio-Oriente.
Intercalando entre a narrativa e as crónicas de um jornalista turco bastante influente, Orhan Pamuk aborda temas como o dos antigos escritores, poetas e pensadores turcos e a influência que exerceram sobre as grandes obras da cultura europeia (caso da “Divina Comédia”, de Dante); no fundo, estende uma tapeçaria oriental ao mundo ocidental. Mas Pamuk debruça-se também sobre questões tão humanas e complexas como a da memória, a da busca de uma “identidade” e a importância do houroufismo na cultura turca, uma prática que constituía em ler letras e signos nos rostos. Este é aliás, o cerne do romance: poderemos ser nós próprios, querendo ser outro? De que forma a memória e as histórias contribuem para a nossa identidade? Questiona-se Pamuk na narração do problema da personagem principal: Galip, um jovem advogado que não conseguia ser ele próprio, queria ser como o primo, o influente jornalista Djêlal Salik. Por sua vez, o cronista do Mylliet tinha um outro grande problema relacionado com a perda memória. Devido a esses lapsos, o jornalista terá começado a narrar histórias à irmã, Ruya( mulher de Galip), para que esta registasse as suas memórias. No último capítulo, Pamuk insere uma crónica que em jeito de epílogo conta a história de um príncipe otomano que elegeu como objectivo de vida, tentar ser ele-próprio. Isso depois de ter passado seis anos fechado num pavilhão para se dedicar apenas à leitura: desde Voltaire às “Mil e Uma noites”, o príncipe vai deixar de ser ele próprio para ser um outro que tem as ideias dos filósofos alemães, que fala como o seu antigo professor de francês, que se apaixona pela mulher de perfume de violeta como o personagem do romance que lera.
Por entre os cheiros do café e do rio Bósforo que impregnam a as ruas da Antiga Constantinopla, Pamuk conseguiu de forma surpreendente reunir num romance os estilos da narrativa, da crónica e do policial. F.C.
Comentários
Ultimamente tenho tido uma vontade de me informar mais sobre dois países: Turquia e Índia. São basicamente dois países que estão envolvidos em guerras civis culturais que atravessam gerações.
O género de coisa inimaginável para um país tão pequeno e coeso como Portugal.
Olá, companheira de secção!