Avançar para o conteúdo principal

AmnésiAmor


Poder reescrever-me.
Mergulhar n´AmnésiAmor.
Deixar lá o colar de pérolas:
F-A-L-S-A-S
Todas aquelas que colecionei
E esquecê-las lá,
Para sempre.
*
Para regressar,
Sem medo, I-N-T-E-I-R-A
Segura, de que sou a M-U-L-H-E-R  D-A  M-I-N-H-A  V-I-D-A.
E não vou aceitar que ninguém me ponha E-T-I-Q-U-E-T-A-S
ou me C-A-L-E-O-C-O-R-A-Ç-Ã-O
*
E quero voltar a amar
Escrever num quadro limpo,
Com um giz candidamente branco
A palavra A-M-O-R
Em letras gigantes e R-U-I-D-O-S-O.
*
Ver tudo,
Pela primeira vez,
Com os olhos de uma criança
Que pinta o amor em cores primárias:
 A-Z-U-L, V-E-R-M-E-L-H-O-e-A-M-A-R-E-LO
SOMENTE.
*
Por mim
Por ti,
Por nós:
Pelo A-M-O-R  PU-R-O
R-E-I-N-V-E-N-T-O-M-E.

Comentários

Romie disse…
Talvez a poesia seja uma forma de arte sem colocar um Fim. Tudo fica em suspenso na imaginação de quem lê, sendo esse conjunto de palavras transformadas em diversas interpretações com ou sem ligação, o que faz iniciar a magia de ler novamente.

“Fazes das tuas palavras as tuas pegadas na areia, que nem as ondas se atrevem a apagar. É urgente viver e sentir, não basta existir.”

Roamie.
Filipa disse…
Roamie,

Poderia ser nome de personagem de um romance geek, mas não deixa de ser bonito se nos apartarmos dos anglicismos.
Obrigada pelas tuas palavras. No fundo a poesia tenta dar sentido e de certa forma junta, todas essas peças soltas que nós somos, todos esses momentos e sensações vividos que não conseguimos catalogar nem exprimir muito bem e ficam por aí aos trambolhões na cabeça e no coração:) Devias continuar a escrever. Tens uma enorme sensibilidade para a beleza crua da vida e escreves muito bem. Tua, Filipa
Roamie disse…
Não é a atitude mais correta deixar uma resposta prolongar-se sobre o tempo, no entanto a fase de construção não é tão imediata (se é que serve de desculpa).
Hoje abri um pequeno caderno de memórias escritas que talvez consigas recordar.

“Tenho uma bússola,
que ruma Norte,
perdida a Norte,
e com desvios no Norte.

Desprovido de tripulação,
sozinho com a imaginação.
Penso deixar a âncora,
num local onde se contempla o mar.

Fico banhado pelas ondas e pelo vento.
Com medo do desconhecido,
como qualquer navegador mortal,
imagino se âncora pode ali ficar.”

Teu, Romie despistado! “Será necessário cozinhar a vida “

Mensagens populares deste blogue

O tempo de esquecer

Perguntei ao Google quanto tempo era preciso para esquecer. Disse-me que o tempo estava ameno no Porto, 28 graus de máxima, 20 de mínima, vento moderado, 18 graus temperatura do mar. Talvez o tempo de esquecer, seja a sequência de dias que vão passando, os meses que passam ora velozes ora mais devagar, os dias invernosos, a primavera a despontar nos risos das pessoas que deixam de ser tão amargas com a chegada dos dias ao ar livre , e finalmente o verão , a entrar com um sol ardente, a escancarar os as portas com uma luz de cal  e a trazer promessas de dias sem fim . Dias que pelo menos contigo não voltam a acontecer. Talvez o tempo de esquecer sejam as viagens que tenho feito, a sequência de dias de partir, de voar, de entrar no rebuliço de uma estação de comboios, de conhecer novas pessoas, de me esquecer de onde venho e esquecer para onde iria contigo. Talvez o tempo de esquecer seja a playlist dos spotify a passar enquanto corro e me apercebo que há músicas que vão perdendo gra...

Rosário 280.

Querida Casa, Vou-me embora. É hora de te deixar. 2016-2025. Quando olho para ti, a despir-te das coisas, dos livros, dos quadros, da roupa, das loiças , dos panos de cozinha, da chaleira vermelha, as gavetas ficam abertas como bocas, e misturam no ar tantas coisas,  tantos ecos de risos, tantos solavancos de tristeza, tantos sentimentos e coisas que só tinham nome aqui. E ela chega como a chuva escura do Porto: a minha amiga Nostalgia : A palavra vem do grego  nostos  ("reencontro") e  algos  ("dor, sofrimento"). A dor do reencontro. E é muito isso. Aquela sensação do reencontro de uma peça de roupa perdida, que de repente aparece no armário, vinda de 2017 não sabemos bem em que guerras andou e quando aparece traz-nos uma alegria súbita, logo seguida de uma tristeza pesada, de saber que nao regressamos mais ao tempo daquelas calças levis . E isso é a nostalgia. Como uma máquina do tempo que não sai do mesmo sítio mas para onde podemos olhar, um holograma fodid...

Pérsola. O início de tudo

Hoje vou falar-vos da Pérsola. Para quem lê o meu blog-baú de poemas e crónicas, sabe que o amor ( e o seu reverso), são temas recorrentes. Afinal, não é este uma força, que nos motiva/desmotiva, quanto mais não seja o amor próprio?  Bem, na verdade este é um texto em que o desamor gerou amor e está personificado numa bela mulher chamada Pérsola. Vamos, tenho agora que dar um pormenor interessante, para que o leitor de olho digital de preguicite aguda, não desista de ler, habituado como está às curtas e empoadas frases das redes sociais. Aqui vai esse detalhe importante, que revela toda a essência do desamor: a Pérsola tinha como apelido “ Exposta”, como aliás, muitas outras crianças que nasceram naquela altura, na Roda dos Expostos. “Exposta” ou “exposto” era o nome que se dava às crianças fruto de relações “proibidas”- ou que a sociedade não aprovava, por exemplo, entre um criado e uma menina burguesa de um colégio de freiras. Porquê? Aqui chega aquele momento em que o narrado...